Pauliceia Literária 2016

Autores

 

Nasceu em Buenos Aires em 1959. Escritor e roteirista, estreou na literatura com o romance epistolar O pudor do pornógrafo (1984). Seguiram-se O colóquio e Wasabi. Seu romance O Passado recebeu na Espanha o prêmio Herralde e foi adaptado para o cinema pelo diretor Héctor Babenco. A partir de 2007, começou a escrever uma trilogia sobre a Argentina dos anos 1970 que teve início com História do pranto e teria sequência com História do cabelo (2010) e História do dinheiro (2013). Crítico de literatura e cinema, escreveu ensaios sobre Jorge Luis Borges, Roberto Arlt e Manuel Puig, lecionou na Universidade de Buenos Aires, trabalhou como jornalista no jornal Página 12 e foi roteirista de diversos filmes, tendo atuado como ator em Medianeras, de Gustavo Taretto, A vida nova, de Santiago Palavecino, e Cassandra, de Inés de Oliveira Cézar.
Nasceu em Fortaleza em 1951 e estreou literariamente em 1989, com Boca do Inferno – premiado romance ambientado em Salvador à época de Gregório de Matos e do padre Vieira. Voltou ao procedimento de tomar escritores brasileiros como personagens em A última quimera (que tem Augusto dos Anjos como protagonista), Clarice, Dias & Dias e Semíramis (que partem das vidas de Clarice Lispector, Gonçalves Dias e José de Alencar, respectivamente). Dessa confluência entre pesquisa histórica e invenção ficcional nasceram Desmundo (que se passa no Brasil logo após o descobrimento) e O retrato do rei (narrativa sobre a Guerra dos Emboabas). É autora ainda de Amrik e Yuxin, entre vários outros.
Designer formada pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) do Rio de Janeiro, Ana Luisa Escorel nasceu em São Paulo, em 1944, e deu aulas de projeto em design gráfico na Escuela de Diseño EINA, em Barcelona, e na PUC do Rio de Janeiro. Em 2004, fundou a editora Ouro Sobre Azul, incorporando a atividade editorial a sua extensa trajetória de designer. Autora dos livros de ensaios Brochura brasileira: objeto sem projeto e O efeito multiplicador do design, estreou na literatura em 2010, com O pai, a mãe e a filha. Em 2013, lançou Anel de vidro, romance que em 2014 recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura de melhor livro do ano. Desde janeiro de 2016, publica no site da Ouro sobre Azul o blog De tudo um pouco, atualizado toda segunda-feira. Atualmente, trabalha em Dona Josefa, seu segundo romance.
Nasceu em Moçambique em 1972. Filha de pai goês e mãe alentejana, foi para Portugal aos cinco anos. Estudou Direito e trabalha atualmente como advogada em um instituto público. Tem três filhos e mora em Lisboa. Em meados de 2006, começou a escrever o blog Ana de Amsterdam (em referência à canção de Chico Buarque e Ruy Guerra que faz parte da peça Calabar, o elogio da traição). O blog acabou se transformando num híbrido que mescla diário íntimo com pequenos contos e narrativas ficcionais sobre desejo e falta de prazer, tristeza e solidão, maternidade e suicídio. Reunidos em obra logo publicada no Brasil, os textos de Ana de Amsterdam levaram a comparações com o Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, e com autoras como Virginia Woolf e Sylvia Plath.
Nasceu em 1942 em Yeonggwang, na província de Jeollanam-do, Coreia do Sul, cresceu em Jeonju e estudou língua e literatura coreana na Universidade Nacional de Seul, na qual obteve o doutorado e onde é professor emérito. Membro do Instituto Coreano de Artes, estreou na literatura em 1968 e já escreveu 20 volumes de poesia – entre eles, Aplausos vindos de lugar algum e A sombra do vento –, além de obras de crítica como Lágrimas de um ídolo, Imaginação e lógica e Estudos sobre poetas coreanos contemporâneos. Com livros traduzidos para os idiomas inglês, francês, espanhol, alemão e japonês, foi presidente da Sociedade dos Poetas Coreanos e professor visitante na Universidade de Berkeley (EUA) e na Universidade Carolina de Praga (República Tcheca).
Nasceu em 1972 em Barcelona, Espanha, onde vive com os dois filhos. Formada em Arqueologia pela University College of London, trabalhou durante muitos anos no mundo editorial – em especial na Lumen, editora fundada nos anos 1960 por sua mãe, a também escritora Esther Tusquets Guillén. Sua obra de estreia, Hoy he conocido a alguien (2008), ainda inédita no Brasil, projetou-a na cena literária espanhola, preparando a ampla recepção internacional de Isso também vai passar, seu segundo romance, vertido para mais de 30 idiomas. Atualmente, também atua como jornalista e tradutora.
Nasceu em São Paulo, em 1962. É roteirista de cinema e TV, dramaturgo, cineasta, cronista e escritor que transita por diferentes gêneros, como na novela O céu e o fundo do mar, nas micronarrativas de 100 Histórias colhidas na rua e Passaporte, nos infantojuvenis Tá louco! e O pequeno fascista, no romance Um céu de estrelas e na prosa dialogada Prova contrária – estas duas últimas obras adaptadas para o cinema por Tata Amaral (Prova contrária com o título Hoje). Corroteirista de filmes como Os matadores, Carandiru e Cazuza – O tempo não para, de 2008 a 2015 criou e desenvolveu, em parceria com o escritor Marçal Aquino, três temporadas do seriado policial Força-tarefa e as minisséries O caçador e Supermax, para a Rede Globo. Autor da peça Apocalipse 1,11 (sobre a chacina do Carandiru, em parceria com o Teatro da Vertigem), seu romance Subúrbio deu início, em 1994, a uma renovação da narrativa urbana brasileira que culminou no recente Luxúria.
B. Kucinski é a assinatura literária do jornalista e cientista político Bernardo Kucinski (São Paulo, 1937), que é professor aposentado da USP, foi assessor da Presidência da República entre 2003 e 2005 e estreou na ficção aos 74 anos com o romance K. – Relato de uma busca. Finalista dos prêmios Portugal Telecom, Dublin Literary Award, International Literary Award, Colama e Machado de Assis, o romance narra a busca de um pai pela filha desaparecida durante a ditadura militar brasileira e já foi publicado em inglês, espanhol, catalão, francês, alemão, italiano, hebraico e japonês. Seguiram-se o livro de contos Você vai voltar pra mim e a novela policial Alice. No recente Os visitantes, ele retoma o tema de K., agora dando voz a personagens do romance de estreia que, como fantasmas do passado, vêm questionar sua forma de representar a tragédia familiar e política.
Um dos mais premiados e traduzidos nomes da literatura brasileira contemporânea, nasceu em Lages (SC), em 1952. Radicado em Curitiba – cidade que se tornou uma das personagens de sua obra – é autor, entre outros, dos romances Trapo, A suavidade do vento, Juliano Pavollini, Uma noite em Curitiba, Breve espaço, O fotógrafo e Um erro emocional e do livro de contos Beatriz. Seu romance O filho eterno recebeu os mais importantes prêmios literários do Brasil e já foi traduzido em 15 países. Como cronista, reuniu seus textos publicados no jornal paranaense Gazeta do Povo nos livros Um operário em férias e A máquina de caminhar. Estudioso da obra do teórico russo Mikhail Bakhtin, publicou o ensaio "Entre a prosa e a poesia: Bakhtin e o formalismo russo" e a autobiografia literária O espírito da prosa. Seu romance mais recente é O professor, traduzido neste ano para o italiano.
Nasceu em São Paulo, em 1959. É escritor, dramaturgo e jornalista. Seu primeiro livro, Feliz ano velho, foi publicado em 1982. Ao narrar com linguagem coloquial e confessional o acidente que o deixou tetraplégico e o desaparecimento político de seu pai durante a ditadura militar, Feliz ano velho tornou-se o retrato dos traumas, dos anseios e das frustrações de geração que viveu os momentos da abertura política no país. Vieram, na sequência, livros como Blecaute, Bala na agulha, Não és tu, Brasil, Malu de bicicleta e A segunda vez que te conheci, além de peças teatrais e livros para público infantojuvenil. Apresentador do programa Fanzine, da TV Cultura, entre 1992 e 1994, atualmente é colunista do jornal O Estado de S. Paulo. Seu livro mais recente é Ainda estou aqui, que retoma as memórias de Feliz ano velho pelo ângulo da mãe, vítima de Alzheimer.
Nascido em São Paulo, em 1981, é jornalista e crítico literário, trabalhou como repórter na Folha de S. Paulo e como resenhista das revistas Cult e Entrelivros. Estreou na literatura em 2004, com o livro de contos Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu. Seguiram-se Histórias de literatura e cegueira – em que ficcionaliza as trajetórias visionárias de três escritores que ficaram cegos (James Joyce, Jorge Luis Borges e João Cabral Cabral de Melo Neto) – e A procura do romance. Em 2012, a edição em português da revista Granta publicou, na edição especial Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros, a narrativa O jantar – que está na gênese de seu romance mais recente, A resistência.
Nascido em São Paulo em 1949, atuou como jornalista, principalmente na área cultural e literária. Professor de literatura hebraica na USP, iniciou na literatura como prosador, com duas novelas experimentais e um livro de contos, passando em seguida para a poeisa, com Do objeto útil. Vieram a seguir Figuras na sala, O olho do canário, Colores siguientes, Contar a romã e Ata, que reuniu seus livros anteriores e poemas antes inéditos. Neste ano, publicará Matula, longo poema fragmentário sobre a herança deixada pelos cristãos novos em Portugal e no Brasil, e sobre os caminhos trilhados pelos sefarditas (judeus de origem hispano-portuguesa) pelo mundo. Como ensaísta, é autor de Dois palhaços e uma alcachofra (sobre a expressão judaica no arquiteto canadense-americano Frank O. Gehry e no romancista israelense Yoram Kaniuk) e Yona e o andrógino – Notas sobre poesia e cabala (sobre a poeta israelense Yona Wollach).
O escritor português nasceu no ano de 1974 em Galveias, povoado do Alentejo que dá título a seu mais recente romance publicado no Brasil. Renovador da prosa portuguesa, estreou na ficção em 2000 com Morreste-me (título que remete à morte de seu pai) e recebeu o Prêmio José Saramago de 2001 com o romance Nenhum Olhar. Seguiram-se, entre outros, Uma Casa na escuridão, Cemitério de pianos e Livro. Poeta e dramaturgo, em 2012 fez uma viagem à Coreia do Norte que resultou no livro Dentro do segredo, em que descreve o cotidiano do país isolado do mundo por um regime totalitário. Em 2015, lançou em Portugal a novela Em teu ventre – que parte das aparições de Nossa Senhora a três crianças na cidade de Fátima, em 1917.
Escritora, crítica de arte e professora universitária nascida em Porto Alegre em 1973 e radicada em São Paulo, tem doutorado em Teoria e Crítica de Arte pela USP e pós-doutorado pela Università degli Studi di Roma “La Sapienza”, pelo Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC USP) e pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Autora dos livros de contos O trágico e outras comédias, Gran cabaret demenzial, Os anões e Delírio de Damasco (com fragmentos de conversas alheias colhidos na rua), seu primeiro romance, Opisanie swiata (cujo título, em polonês, significa “Descrição do mundo”), recebeu em 2013 o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional e, em 2014, o Prêmio Açorianos para narrativa longa e o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria “autor estreante com mais de 40 anos”.
Nascido em Belo Horizonte, em 1945, escritor, cronista e jornalista, iniciou sua carreira no Suplemento Literário de Minas Gerais e vive em São Paulo desde 1970. Estreou na literatura com o livro de contos Pequenos fantasmas, trabalhou em alguns dos principais veículos da imprensa brasileira – Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, revistas Isto É, Veja e Playboy – e atualmente é colunista do jornal O Estado de S. Paulo. Autor de O desatino da rapaziada – Jornalistas e escritores em Minas Gerais (1920-1970), Chico Buarque – Tantas palavras e O santo sujo – Biografia de Jayme Ovalle, tornou-se um dos maiores cronistas brasileiros, reunindo seus textos em livros como O espalhador de passarinhos e Esse inferno vai acabar. Atualmente, escreve a biografia do poeta Carlos Drummond de Andrade.
Nascido em Salgueiro (Pernambuco), em 1947, na juventude se mudou com a família para Recife, onde cursou Ciências Sociais na UFPE, atuando como jornalista de televisão, de rádio e no Diário de Pernambuco. No início dos anos 1970, participou da criação do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, e em 1989 fundou a Oficina de Criação Literária Raimundo Carrero. Em 1975, lançou seu primeiro romance, A história de Bernarda Soledade, a Tigre do Sertão. Seguiram-se, entre outros, Sombra severa, Viagem no ventre da baleia, Somos pedras que se consomem, As sombrias ruínas da alma (contos) e Tangolomango. Seu romance Minha alma é irmã de Deus foi eleito Livro do Ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura de 2010. Nesse mesmo ano, sofreu um acidente vascular cerebral – experiência que, já plenamente recuperado, relatou em O senhor agora vai mudar de corpo (2015).